Capa do livro: Claiton Fernando Nazar

Capa do livro: Claiton Fernando Nazar

quinta-feira, 22 de julho de 2010

TEMPLO METODISTA


Foto: Praça José Bonifácio
Ao fundo, Igreja Metodista
Cortesia Arquivo Histórico




Placa localizada na fachada do Templo. Foto de acervo pessoal.

A Igreja Metodista teve origem na Inglaterra nos idos da Revolução Industrial por meio de um pastor anglicano, John Wesley (1703 - 1791). Segue a essência da fé protestante.
Chegou ao Brasil na segunda metade do século XIX e tornou-se independente da Igreja Americana em 1930.
Em Cachoeira do Sul seus primórdios encontram a data de 1906 quando, segundo a publicação Cachoeira Histórica e Informativa, o Reverendo Leonel Lopes fazia visitas periódicas a esta localidade, proveniente de Santa Maria.
Em 1919 foi inaugurado o templo, localizado à rua Moron, esquina da Travessa 24 de Maio.


Templo Metodista original. Foto: arquivo do Museu Municipal Edyr Lima.

No Jornal O Commercio de 23 de outubro de 1918 consta uma nota de que o projeto teria sido do engenheiro holandês Chrétien Hoogenstraaten e que estava exposto na vitrina do Grande Bazar do sr. Affonso Fortes.

No dia 31 de outubro, o jornal O Commercio publica:

“Às 8 horas da noite de domingo, perante numerosa assistência de excelentíssimas famílias e cavalheiros, foi solenemente inaugurado o templo da Igreja Metodista, construído à Rua Moron nº 140, defronte à Praça José Bonifácio.
Pregaram, durante o ato, os reverendos pastores Eduardo Menna Barreto Jayme, ministro do referido culto nesta cidade e C. L. Smith, presbítero de Santa Maria.
O templo, que tem uma torre à esquina da Travessa 24 de Maio, encimado por uma cruz luminosa, estava abundantemente iluminado.
O novo templo oferece amplo espaço e luz em abundância, tendo belíssimo aspecto, tanto interior como exterior. Foi construído com toda a solidez, de modo a constituir uma obra durável, tendo a nossa população contribuído com uma soma considerável, para o custeio das despesas de edificações.”


Templo Atual, foto de arquivo pessoal.

Pesquisa realizada no Museu Municipal Edyr Lima.

sábado, 10 de julho de 2010

AO LADO DE CADA IGREJA, UMA ESCOLA

1893.
Lá na praça José Bonifácio, numa pequena casa ao lado da velha usina, vinte e oito famílias evangélicas de origem alemã, entoam hinos de agradecimento e louvor.
Está sendo fundada, em Cachoeira do Sul, a primeira Comunidade Evangélica de Confissão Luterana.

Reprodução de documento pessoal: "Gottesdienstordnung zum Festgottesdienst", uma espécie de "ordem de serviço" ou pauta para a celebração de culto do dia 11 de Outubro de 1936, portanto, cinco anos após a construção do templo. O texto é em alemão gótico.

Este culto, em especial, foi por ocasião do sexto aniversário da OASE, Ordem Auxiliadora das Senhoras Evangélicas. O documento provém de acervo pessoal.

Foto: outono de 2010, acervo pessoal. O templo Martin Luther foi projeto do alemão Theodor Wiedersphan, o mesmo arquiteto que projetou a Casa de Cultura Mário Quintana,o prédio da Faculdade de Medicina da UFRGS, MARGS, Museu de Arte do Rio Grande do Sul Aldo Malagoli, por exemplo.
“Neben jeder Kirche, eine Schule”.
Ao lado de cada igreja, uma escola.

Foto do acervo pessoal: estas janelas, chamadas mansardas, infelizmente foram retiradas do primeiro prédio construído pela comunidade evangélica.

No dia 12 de junho do mesmo ano de 1893, pelo preço de Rs. 2.750,00, foi comprada uma casa do sr. Antônio Neves para que servisse como capela e como escola.
O professor Gauss vai lecionar, exercendo também o papel de pastor da comunidade.
O Sr. Zenkner está incumbido da construção de uma nova capela-escola.

Foto: este relógio foi substituído.

1898.
A uma moção apresentada pelo sr. Homrich, fazem eco outras vozes que desejam uma festa em benefício da escola e a realização de exames escolares.
“Wir brauchen die Gemeinde und die Schule, für unser Gut und zur Bestimmung der Zukunft unserer Kinder”.
Precisamos da comunidade e da escola, para o nosso bem e para garantir ofuturo de nossos filhos.

Foto: uniforme usado pela Renate no Jardim de Infância pelos anos de 1963 ou 1964.

O pastor Lechler de Santa Cruz vai empenhar-se junto ao Sínodo Riograndense para a colocação de um pastor junto à comunidade de Cachoeira.
Rother, Schlabitz, Zimmer, Wilhelm, Pohlmann, Müller, Richtear, Brendler, Danzmann, Schaurich, Erhardt, Dickluber, Preussler, Treptow e Glassenapp, são alguns nomes, entre inúmeros outros, que se uniram numa única voz para lutar em favor da comunidade, da escola e de Cachoeira.

Antiga entrada do primeiro prédio da escola. Este portal não existe mais. Observar ao fundo a presença de duas janelas do tipo mansarda.

Vinte e três anos se passaram.
O reverendo Paul Sudhaus, pastor itinerante do Sínodo Riograndense, visitou a comunidade de Cachoeira em 1910 e fez apontamentos sobre a situação daquele, agora já grande número de famílias, que se uniam em torno do mesmo altar.
Por sua solicitação, os estatutos da comunidade foram reformulados e registrados.
Com satisfação e júbilo, em princípios de 1911, a comunidade recebeu o seu primeiro pastor formado, o reverendo Hans Thaler, mas a alegria durou pouco, o pastor adoeceu gravemente e teve que retornar à Alemanha naquele mesmo ano.
Sudedeu-o o pastor Cristoph Sellins que deu a idéia e orientou a criação da DEUTSCH-BRASILIANISCHER SCHULVEREIN, Sociedade Escolar Teuto-Brasileira, que arregimentou os moradores evangélicos e católicos de origem germânica.

Foto: Museu Municipal Edyr Lima.Turma de 1932. Havia um ano que o templo já havia sido construído.

Em 1913 foi construído um espaçoso prédio, que abrigou a escola primária e um ciclo de estudos secundários.
A Sociedade Escolar e a Comunidade indicou o pastor da comunidade com diretor da escola.
O auditório da escola serviria como sala de cultos para a comunidade.

1913.
Fundação da OASE, Ordem Auxiliadora de Senhoras Evangélicas.

29 de março de 1914.
Chegada do Pastor Hermann Dohms e esposa.

1916.
Construção de um prédio destinado a servir como casa paroquial e internato para os alunos da escola.
O Instituto Pré-Teológico, para a formação de pastores evangélicos funciona no mesmo local a partir de 1919.
Antes de ser transferido para São Leopoldo, em 1927, o pastor Dohms inicia campanha em favor da construção de um templo, tarefa assumida pelo pastor Carl Hünermund.
19 de abril de 1931.
Inaugurado o Templo Martin Luther, em puro estilo gótico.
O pastor Gustavo Reusch quer um prédio que sirva com jardim de infância e internato para moças.
Em 1942, de Estrela, chega uma nova diretora: Amália Geisel. Inicia-se uma nova era.

Fonte de pesquisa:
Jogral “As Gerações cantam o Rio Branco”, apresentado na escola em 15 de outubro de 1972.
O texto foi elaborado pelo professor Carlos Artur Müller.
Participaram do jogral alunos da 3ª e 4ª série do antigo ginásio.
Para a elaboração do texto, o professor Carlos baseou-se em entrevistas com antigos membros da comunidade, pesquisas dos alunos e histórico feito pelo Pastor Kurt Benno Eckert no Jornal do Povo de 22 de junho de 1971.

quinta-feira, 8 de julho de 2010

UM SONETO, DE SÉRGIO LEZAMA


Foto: partindo de Cusco, foto de Liane Schmidt
SONETO

Outrora as narrativas de aventuras
Acendiam no céu dos meus enganos
Um estendal de sustos imaturos
E eu via Deus em cada meu irmão.

Hoje a pureza que fugiu da técnica
Dilatou a área do meu sonho:
- Bruscos se tornaram meus adeuses
Meus risos gargalham relatórios.

Que mulher correria ao meu encontro?
Se as minhas mãos – tecelãs do infinito –
Envelheceram na prisão dos bolsos...

Milagres não florescem sobre a terra
E do alto do céu que reinventei
Cai apenas a chuva e um frio silêncio.

Sérgio Lezama (1930/1966).
Poeta nascido em Cachoeira do Sul

sábado, 3 de julho de 2010

UMA ESTAÇÃO CHAMADA FERREIRA




Antes de existir a Ponte do Fandango, os caminhos do sul e do oeste eram pelo trem e pela barca que atravessava o rio, no São Lourenço. A Ferreira era a última estação férrea antes de chegar a Cachoeira vindo da fronteira. O trem que trouxe Getúlio, Osvaldo Aranha, Glicério Alves, Flores da Cunha rumo à revolução de 30 passou por ali e tem gente que ainda lembra do dia em que João Neves e outros cachoeirenses embarcaram em Cachoeira, neste trem, em direção à Capital Federal e mudaram a história do Brasil.



Ferreira tinha um grande movimento, tinha uma pedreira que oferecia pedras de calçamento, havia uma olaria e 2 engenhos, quando éramos capital brasileira de cereais.



A Estação Ferreira tinha 12 funcionários, fora os carregadores de pedras, de arroz, de telhas, de tijolos. Havia os agentes chefes Mota e Dalmolim, o guarda-chaves e os telegrafistas. Como sempre acontecia nas estações férreas a população do local fazia rapaduras, sonhos e vendia a cada parada dos trens noturnos e diurnos.



A Ferreira possuía um clube, um armazém de secos e molhados do Seu Pedro Ache, muitas casas, uma curva, uma ponte, mas era o trem, que passava por uma ponte seca em direção ao S. Lourenço, uma linha morta onde dormiam os vagões, que era a alma do local. Eram 27 famílias na olaria, 20 famílias num engenho, 10 famílias no outro, 12 famílias na estação. Ou seja, todos viviam em função do caminho dos trens. Na enchente de 41 a água chegou até a gare e cobriu os trilhos e levou as ramas de arroz colhidas nas várzeas rio abaixo. Ferreira era forte e rica, mais forte que as colônias e que o os povoados do sul, mas aos poucos foi diminuindo o movimento, as pessoas começaram a ir embora, os engenhos fecharam, o trem mudou seu rumo numa variante, a olaria perdeu-se no tempo e poucos resistem para lembrar daqueles dias em que havia alguma esperança de que um trem fantasma ainda possa de novo passar por lá.

As pessoas da Ferreira


Adão Ache tem 85 anos e contou esta história ao Robispierre, que me contou. Filho de Pedro Ache, que chegou a Cachoeira no começo do século vindo da Síria. Os sírios eram chamados de turcos porque a Turquia através do Império Otomano dominava o Líbano e a Síria. Estes imigrantes eram católicos e se dedicaram ao comércio, sendo mascates de cidade em cidade a vender roupas compradas em São Paulo. Levavam roupas, medicamentos e notícias e traziam um futuro aos seus filhos e muitas histórias pra contar. Os Aches vieram da Síria com os Mafhus, Germanos, Amim e muitos outros.


Adão Ache contou esta história e fica triste, olha para a estação Ferreira desabando, olha para o chão e vê hoje tudo acabado, tudo acabado.

Carlos Eduardo Florence
Publicado no Jornal do Povo em 22-23 de dezembro de 2007.


Fotos: Robispierre Giuliani

sexta-feira, 2 de julho de 2010

CERRO BRANCO, PARAÍSO DO SUL E AGUDO








Fotos: Antiga Biblioteca Pública de Cerro Branco, Igreja Luterana de Paraíso do Sul (a casa Paroquial ao lado não existe mais), Placa do Museu do Imigrante em Agudo, vista parcial do acervo, Igreja Luterana de Cerro Branco, Cemitério dos Schwantz.

Em 1885, o Governo Provincial criou a Colônia Santo Ângelo, nome dado em homenagem ao seu fundador Ângelo Muniz Ferraz, então Presidente da Província. Apenas a 1º de novembro de 1857, foi que os primeiros imigrantes alemães chegaram a Centro Chato, à margem esquerda do rio Jacuí.
Agudo, Cerro Branco, Rincão do Paraíso e Rincão da Contenda tomaram parte da história da colonização por parte de imigrantes que vieram de várias regiões da Alemanha, como Silésia, Pomerânia, Boêmia e Prússia.
As famílias que chegaram à Colônia entre 1857 e 1882, receberam 48 hectares de terra, para pagar ao governo num prazo de 30 anos.
Os primeiros imigrantes alemães chegaram ao Rio Grande do Sul em 1824 durante o governo do Imperador D. Pedro I.

Fonte de Pesquisa: História da Colônia Santo Ângelo, Volume I de William Werlang e Artigo no jornal Correio Popular, de Cachoeira do Sul (hoje O Correio), datado de 27/06/1996 - Seminário do Museu Municipal de Cachoeira do Sul, 'Alemães foram os Pioneiros do Arroz'.

CURIOSIDADE: 'APELLO' EM PROL DA REVOLUÇÃO DE 30



7º districto de Cachoeira

APPELLO

Os abaixo-assinados, correspondendo ao apelo da “Cruz Vermelha”, nomearam em sessão realizada em 26 do corrente no salão do Sr. Rudolfo Prass, uma comissão, composta das senhoras, dona Fanny Muller e dona Flora Schuch, que ficou incumbida de fazer um peditório pelos casais dos moradores de Serro Branco e dos arredores para o fim de angariarem elementos em dinheiro ou viveres para auxiliarem aos feridos no campo da batalha e às pobres famílias, cujos chefes seguiram para o front em prol da revolução.
O produto desta coleta será entregue à “Cruz Vermelha” e os nomes dos contribuintes serão publicados pelos jornais.
Enquanto nas regiões de batalha o trabalho pacífico está suspenso e os habitantes sempre estão ameaçados pela morte, as plantações são estragadas e cidades e aldeãs florescentes estão em perigo de serem devastadas, nós aqui, no nosso amado Rio Grande do Sul, podemos continuar a trabalhar sossegadamente em paz.
Apesar do movimento revolucionário, continuamos a gozar aqui a mesma via normal dos dias anteriores à revolução sendo garantida a ávida e a prosperidade de todo o cidadão.
Isto tudo devemos ao nosso governo cuidadoso e à valentia dos nossos combatentes heróicos que avançando repelem os adversários.
Ninguém de nós pode ficar indiferente ante a sorte lamentável das pobres famílias dos nossos queridos patrícios,, ora empenhados em luta contra a tirania do governo do Sr. Washington Luiz e os que não podem acudir ao chamamento da pátria, têm o dever indispensável de procurar de qualquer modo, prestar o seu auxílio à santa causa.
Esperamos que cada um dos nossos concidadãos aproveite a oportunidade para patentear seu sentimento generoso e patriótico e sua gratidão, dando a referida comissão alguma coisa para aqueles a quem desejamos socorrer.

Serro Branco aos 27 de Outubro de 1930.

Henrique Ruseler
Francisco José Lappe
João Carlos Schuh
Alberto Müller

FONTE DE PESQUISA: caderno de anotações do pastor e professor Henrique Ruseler (1834-1876)que exerceu o pastorado e professorado em Cerro Branco e Paraíso do Sul, regiões pertencentes à Colônia Santo Ângelo.